Mecanismos de enfrentamento e saúde mental

*Esse texto foi revisado por Rafael Barreto, Head de Enfermagem na Cuidas e Jéssica Ferreira, enfermeira de família na Cuidas

Antes de mais nada, quando falamos em mecanismos de enfrentamento, pode soar como algo muito complexo e complicado. Porém, a realidade não é bem essa. Hoje vamos entender como os mecanismos de enfrentamento estão diretamente ligados à nossa saúde mental e como podem nos ajudar no dia-a-dia. 

O que são mecanismos de enfrentamento?

Os mecanismos de enfrentamento são um conjunto de ações cognitivas e de tomada de decisão que estão em permanente mudança. Estes são desenvolvidos pelo indivíduo para suprir tanto suas demandas externas (vida social, trabalho e etc..), quanto às demandas internas (emocional, organismo etc.), sendo assim, dependentes dos próprios recursos que esta pessoa adquiriu ao longo da vida. 

Nesse sentido, os mecanismos de enfrentamento são utilizados para amenizar, eliminar e alterar a situação ou evento causador de perturbação (dirigidos ao problema) e para regular a resposta emocional decorrente do episódio estressante (dirigido à emoção).

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O conjunto de crenças sobre o mundo, os valores, a motivação e o compromisso, bem como o estilo de vida adotado pelas pessoas, são aspectos psicológicos que se diferem dos fenômenos externos como potencial estressor. Ao longo da vida, as pessoas desenvolvem mecanismos de enfrentamento variados diante de uma mesma situação problema, decorrentes da interação entre estes múltiplos fatores citados até aqui. 

Mecanismos de enfrentamento e o indivíduo

Devido a nossas experiências e aprendizados, cada um de nós tem diferentes capacidades de enfrentamento diante dos variados desafios ou situações que a vida oferece. Além disso, contamos com distintas estratégias, as quais utilizamos para superar com sucesso os obstáculos que forem aparecendo durante a vida. 

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Dessa maneira, a importância de ter estes recursos consiste no fato de que quanto mais ricos e variados eles forem, com mais satisfação vamos enfrentar as dificuldades e obstáculos no caminho. 

Contudo, diante de um problema imprevisto, podem acontecer duas situações:

  • A primeira é que a mobilização de nossos recursos seja a adequada para o problema. Neste caso, acontece essa adaptação e, portanto, nós poderíamos continuar fazendo uso de nossos recursos normalmente para enfrentar este problema. 
  • Já no segundo caso, pode acontecer que a demanda do problema seja maior que os recursos que a pessoa tem disponível para enfrentá-lo, logo encontrará grandes dificuldades para resolução deste problema.

Agora, imaginemos que nosso companheiro sentimental nos diz que tem que viajar um certo tempo para fora do país por motivos de trabalho. Em primeiro lugar, a pessoa realizaria uma avaliação primária da situação. Ou seja, ela analisaria se esse fato é positivo ou negativo, e faria uma estimativa das consequências desse evento no futuro

Posteriormente, ela faria uma segunda avaliação na qual o foco da atenção deixaria de estar colocado no fato em si, para se concentrar na própria pessoa. Assim, a pessoa afetada analisaria as capacidades que tem para fazer frente a essa nova realidade. 

Ou seja, ela tentaria reunir todos os seus recursos de enfrentamento para se valer deles. Dependendo, em grande parte desta última estimativa, ocorreria ou não a reação de estresse.

Os tipos de mecanismos de enfrentamento

Tradicionalmente, foi realizada uma classificação destas estratégias, levando em conta diferentes aspectos. A avaliação do evento, a problemática do mesmo e a emoção provocada. Assim, com base nestas características, os recursos de enfrentamento podem se dividir em 2 tipos:

As estratégias concentradas no problema:

Esses tipos de recursos estão destinados a encarar a situação, dando-lhe sentido e atribuindo um determinado significado à problemática ocorrida. Eles estão baseados na busca de soluções, em restaurar o desequilíbrio cognitivo causado e resolver ou modificar o problema. Além disso, fazem referência ao enfrentamento e à busca de apoio social e de soluções. 

Normalmente, são empregados quando se percebe o evento estressante como algo controlável. Por exemplo: temos que realizar muitas tarefas durante o dia, isso nos causa inquietude e, inclusive, mal-estar. Como nos adaptamos a esta situação? Mobilizando este tipo de estratégia, com as quais pensaríamos que, nos esforçando muito, poderíamos fazer todas essas tarefas.

As estratégias concentradas nas emoções:

Dessa forma, ao contrário da anterior, estas estratégias costumam ser usadas quando a situação que gera estresse é percebida como incontrolável. O que se busca, portanto, já não é se concentrar no problema, senão nas emoções que esse evento provoca e na sua liberação. Só assim o indivíduo poderá relaxar. 

Elas serão orientadas a conseguir restabelecer o equilíbrio afetivo. Elas são o autocontrole, o distanciamento, a reavaliação positiva, a auto acusação e a escapada/evitação. Com respeito a este último tipo de conduta, os recursos de enfrentamento baseados na evitação procuram se distanciar do problema temporariamente. 

Sendo assim, a pessoa vai tentar se evadir realizando outras atividades, tomando distância daquilo que está lhe causando tanto estresse. Quando ela tiver conseguido minimizar o impacto emocional, voltará a enfrentar essa situação.

Estes recursos de enfrentamento não são estanques, são modificáveis. Também são flexíveis e, com a ajuda adequada e apoio psicológico, podem ser desenvolvidos.

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