Evitar ir ao hospital durante a pandemia é o melhor para a saúde?

Apesar do medo que a pandemia do coronavírus causa e a necessidade de confirmar que sua saúde não está comprometida, ir ao hospital ou a uma unidade de saúde não é a melhor ideia no momento. 

Estes ambientes possuem um grau maior de risco de transmissão da covid-19, já que concentram pessoas doentes, com a saúde debilitada e, possivelmente, transmissoras do vírus.

Ainda, outro grande motivo para não ir ao hospital enquanto não apresentar sinais graves da doença é a utilização desnecessária e falta de recursos essenciais.

Mais pessoas, menos recursos.

A ida ao hospital consome insumos que já estão em falta no sistema de saúde do país. 

Testes para o vírus, máscaras, produtos de higiene e os próprios leitos já não estão suportando a demanda atual por tratamento e, de acordo com o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, até o final de abril o sistema de saúde irá colapsar. 

Apesar de nos remeter a uma imagem de caos, pessoas aglomeradas nos corredores e destruição, este não é o significado exato de colapso do sistema de saúde.

A expressão comunica falta de habilidade para suprir as demandas da população por leitos e recursos. 

“O que é um colapso? Às vezes as pessoas confundem colapso com sistemas caóticos, sistemas críticos, quando você vê aquelas cenas de pessoas em macas. O colapso é quando você pode ter o dinheiro, você pode ter o plano de saúde, você pode ter a ordem judicial, mas, simplesmente, não há um sistema aonde entrar”,

Mandetta.

A situação pode chegar à que a Itália vive no momento, onde profissionais de saúde precisam decidir quem receberá o tratamento, já que é impossível atender a todos. 

“Para evitar esse colapso pode ser necessário segurar a movimentação para ver se consegue diminuir a transmissão. Quando a gente toma uma medida de segurar 14 dias, por exemplo, o impacto dessa medida só é sentido 28 depois porque a cadeia de transmissão é sustentada e você [a] quebra.”

Mandetta.

Quando procurar um médico:

Ir ao hospital é uma ação recomendada apenas após o paciente apresentar sintomas graves da covid-19, como falta de ar, dificuldade para respirar e febre persistente. 

Sintomas comuns de um resfriado ou gripe, como tosse seca e coriza não chamam a atenção, mas devem ser monitorados. 

Caso seja necessário ir ao hospital ou a até uma unidade de saúde, vá de máscara, e informe os sintomas assim que chegar. A equipe de saúde fornecerá máscaras mais apropriadas e irá te atender da melhor forma possível.

Ande sempre com álcool em gel e máscara
Não esqueça o álcool em gel

Para os usuários do SUS, a triagem é feita na unidade de saúde. O caso será avaliado e a decisão do encaminhamento para um hospital de referências é feita pela equipe de saúde com base na gravidade dos sintomas.

Nos dias em que algumas unidades de saúde não abrem, apenas pacientes com sintomas graves, como falta de ar, devem ir diretamente ao Pronto-Socorro.

Outros problemas de saúde:

Apesar de ser prioridade em todo o mundo, o coronavírus não é o único motivo de ir ao hospital. As doenças agudas e acidentes comuns ainda acontecem e precisam da devida atenção, e pessoas continuam precisando de acompanhamento de seus problemas crônicos.

Ir até uma unidade de saúde por motivos que podem ser adequadamente cuidados por teleatendimento afeta também no tempo de espera das pessoas em situações de risco e que necessitam de cuidados emergenciais, bem como daquelas para as quais a avaliação presencial é imprescindível. 

Outra problemática é que você pode levar o vírus, mesmo que não apresente sintomas, para pacientes que não estão com o corona, mas são estão mais suscetíveis a pegá-lo.

Como exemplo, podemos citar pessoas em tratamentos contra câncer, gestantes de risco, prematuros ou aqueles internados por diversas outras doenças. 

Diversos hospitais já estão suspendendo as visitas justamente como forma de segurança e proteção aos internos. 

Telemedicina: uma nova alternativa

No fim de março, o senado aprovou o projeto de lei votado pela Câmara dos Deputados que autoriza o uso da telemedicina durante a pandemia do coronavírus no Brasil. 

Ainda, o Ministério da Saúde publicou as diretrizes que devem ser seguidas na aplicação deste modelo de atendimento, controlando a prescrição de receitas, atestados e quais áreas podem utilizar da tecnologia para continuarem a produzir diagnósticos precisos.

Essa medida foi tomada para diminuir o fluxo de pessoas em unidades de saúde e o consumo de recursos. Agora, para aqueles que iriam realizar consultas simples, que não necessitam de exames e atendimento presencial, a telemedicina é recomendada. 

Telemedicina é uma alternativa eficaz para evitar ir até o hospital
Opte por atendimentos remotos

Os pontos positivos são muitos. Em diversos casos, essa modalidade possibilita que pessoas entrem em contato com a unidade de saúde e realizem o acompanhamento de sua saúde de maneira mais prática. 

Além disso, pessoas com sintomas agudos suspeitos de coronavírus ou não podem ser avaliadas a distância, evitando idas desnecessárias a locais de aglomeração.

Com o teleatendimento, estes indivíduos poderão receber orientações sobre como autoavaliar a gravidade de seus sintomas e recomendações de como proceder nos dias seguintes.

Wesley Satu da Silva

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