Coronavírus: tudo sobre o maior problema de saúde dos últimos anos.

A COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, se tornou o maior problema de saúde global da atualidade. Considerada uma pandemia pela OMS no começo de março, a doença já vitimou mais de 140 mil pessoas no mundo inteiro e não há previsão real de controle até hoje, dez meses após os primeiros casos documentados.

Neste artigo, vamos explicar tudo sobre a COVID-19, desde seu surgimento, os primeiros casos , os sintomas da doença e como a situação foi encarada no Brasil. Leia agora:

O surgimento do novo coronavírus: 

Os primeiros casos da doença respiratória SARS-COV 19 foram identificados em 01 de dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, China. Ainda não se sabe exatamente a origem do vírus, mas o mais provável é que este tenha origem zoonótica, isto é, originário de um animal que transmitiu o vírus para seres humanos, muito provavelmente de um morcego.

Este não é o primeiro coronavírus a se espalhar pelo mundo. Na realidade, de acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros coronavírus foram identificados no mundo já na década de 60.

Exemplos de outras doenças originárias de tipos diferentes de coronavírus são a Sars e a Mers, que se tornaram epidemias e assolaram a humanidade durante os anos de 2002 e 2003

Estas doenças também são da mesma família do vírus atual e se originaram, respectivamente, de gatos e dromedários.

Alertas

O primeiro alerta sobre o possível dano que o novo coronavírus poderia ter em escala global foi feito em 31 de dezembro de 2019, pela OMS, logo após as autoridades chinesas notificarem diversos casos de pneumonia grave na cidade de Wuhan, sétima maior cidade da China e com população comparável a da cidade de São Paulo, com 12 milhões de habitantes.

Estes primeiros casos atingiram pessoas que circulavam ou tiveram contato com um grande mercado de frutos do mar localizado em Wuhan, que também comercializava animais vivos no local. É daí que veio a suspeita de que a origem do vírus seja animal.

Quais os sintomas da doença?

Os sintomas mais comuns da covid-19 são similares aos de uma gripe comum, como coriza, tosse seca e febre acima de 38°. Ainda, o infectado pode apresentar dores de garganta e cabeça, diarréia e fadiga.

Nos casos graves, a fadiga evolui para uma dificuldade séria para respirar, o que acarreta na síndrome respiratória aguda grave, que exige internação e, em, muitos casos, a necessidade de que o paciente utilize um respirador mecânico para cumprir as funções pulmonares.

Também são relatadas insuficiências renais decorrentes do avanço da doença.

Grupo de Risco

O público com maior risco ao contrair a doença é o mais velho. Pessoas acima de 60 anos e indivíduos que possuem doenças de base/crônicas como diabetes, hipertensão, bronquite crônica e outros problemas respiratórios devem tomar cuidado redobrado com a infecção do novo coronavírus.

Como o coronavírus se espalha?

São três as formas possíveis de transmissão do vírus:

Em primeiro lugar, a transmissão por vias respiratórias, pelo ar e por gotículas provenientes de espirros, tosse e fala de pessoas que estão contaminadas pelo vírus.

O vírus também se espalha através de contato físico, quando um indivíduo infectado transmite para uma outra pessoa através de beijos, abraços e outros tipos de toque. Ao se cumprimentar com um abraço e um beijo no rosto, por exemplo, o vírus alcança as mucosas do olho, nariz e boca, por exemplo;

O coronavírus também pode ser contraído por meio do contato com superfícies contaminadas, já que o vírus permanece ativo por um certo período dependendo do local. Corrimões, maçanetas, celulares e outros objetos podem armazenar o vírus durante um longo período e infectar diversas pessoas.

Para combater a proliferação do vírus, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que a higiene pessoal seja reforçada neste período. Duas ótimas formas de proteção contra o coronavírus são a higienização das mãos com água e sabão e a quarentena, isto é, o isolamento de pessoas e a restrição da circulação nas cidades.

Com menos pessoas na rua e maior cuidado com a higiene, é possível diminuir os efeitos do coronavírus e, aos poucos, reestabelecer a rotina.

Taxas de mortalidade e contaminação

Até o dia 08 de Março, a Johns Hopkins University, de Baltimore (Estados Unidos), classificava a mortalidade do covid-19 em 0,7 (números absolutos), com taxa de reprodução de 2. No Brasil, por conta da abordagem sobre o isolamento e tratamento da doença, amargamos uma taxa de mortalidade de 3% em Setembro.

Estes dados, ainda que muito importantes para realizarmos comparativos entre doenças infecciosas, como é o caso do novo coronavírus, ainda não se provam precisos, com muita incerteza rondando as estimativas sobre a doença e seus impactos.⁠

A catapora, por exemplo, tem taxa 0 de mortalidade, mas reprodução de 8,5 e é considerada altamente contagiosa. As últimas doenças que deixaram o mundo em alerta – Sars e Mers – tinham, respectivamente, taxa de mortalidade de 9,6 e 35,06, com reprodução de 2,8 e 0,5.

Apesar de ter uma baixa taxa de mortalidade geral, os riscos do covid-19 são maiores para as pessoas do grupo de risco (idosos acima de 60 anos, diabéticos, pessoas com histórico de doenças cardiovasculares ou problemas crônicos respiratórios). Nesta parcela da população, o risco de morte pode chegar a 10.5, muito além dos 0,7 iniciais.

Segundo o Centro de Controle de Doenças na China (CCDC), pessoas acima de 80 anos são as principais vítimas da doença. Apesar do ritmo de mortos e infectados ter sido controlado no país, que não registra novos casos desde agosto, 14.8% dos infectados com mais de 80 anos morreram.⁠

A taxa de mortalidade real da covid-19 ainda é um mistério, já que varia de acordo com o país e, ainda assim, os dados podem ser distorcidos de acordo com fatores como quantidade de testes e atribuição de óbitos a outras causas similares a doença causada pelo coronavírus.

O status de Pandemia

Em 30/01/2020, após avanço rápido da doença na China e em diversos outros países por conta do retorno de pessoas infectadas ao seu local de origem, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom declarou em coletiva à imprensa, uma emergência pública de saúde de nível global.

Esta medida foi tomada para alertar todos os países que ainda não estavam se preparando para a iminente chegada da doença a seus respectivos locais. Como resposta direta ao pronunciamento da OMS, países como Argentina, Chile, Canadá e também a União Européia fecharam suas fronteiras para pessoas de outras nacionalidades ou que estivessem voltando de regiões que apresentaram a doença.

Essas medidas de isolamento foram aumentando, até que o isolamento total passou a ser adotado por muitos locais, como é o caso da Rússia e, mais tarde, no Brasil.

Em 11 de março, o vírus já atingia mais de 120 mil pessoas ao redor do mundo, espalhadas em mais de 80 países. Desta forma, a Organização Mundial de Saúde passou a considerar o coronavírus uma pandemia, apesar de ainda manter as esperanças de frear os impactos e a disseminação do vírus.

Até o dia 8 de abril, mais de 1,4 milhão de pessoas já haviam sido infectadas pelo coronavírus, que na época vitimou mais de 65 mil pessoas no mundo. No início de outubro, o número de infectados totais atingiu 34.080.123 pessoas, matando 1.015.815 destas.

Como evitar a contaminação pelo coronavírus? Reforce os cuidados com a higiene. 

Um dos grandes aliados na luta contra a covid-19 é o cuidado com a higiene pessoal. Para reforçar a proteção, lembre-se sempre de lavar bem as mãos e evitar o contato com pessoas infectadas.

Mais do que utilizar álcool em gel para desinfetar as mãos, lavar com água e sabão é essencial e tal higienização deve ser feita da maneira correta.

Por que sabão?

O sabão ajuda a unir água e gorduras e permite a remoção tanto da sujeira quanto de micro-organismos. Ele é capaz de juntar estas moléculas e age como ponte para que sejam carregadas pela água. Em resumo, o sabão se une a capa de gordura do vírus, matando-as e sendo levado embora pela água.⁠

O jeito correto de lavar as mãos é o seguinte: ⁠

  1. Primeiro, molhe suas mãos⁠;
  2. Depois, passe o sabonete líquido na palma da mão e esfregue diversas vezes;⁠
  3. Amplie o movimento para o dorso (costas das mãos) e depois vá para entre os dedos⁠;
  4. Não esqueça as pontas dos dedos. Para lavar essa parte, junte as unhas e esfregue na palma de sua outra mão;
  5. Não esqueça de lavar o polegar e os punhos⁠;
  6. Para enxaguar, prefira começar pelas pontas do dedo, de modo que a água não leve a sujeira para seu pulso e braço.⁠

⁠Na hora de fechar a torneira, se possível, utilize o cotovelo. Caso não seja possível, use uma toalha de papel para não ter contato direto com o objeto sujo.

Álcool em gel: uma ajuda complementar

Quando lavar as mãos não é possível (em um ônibus, durante uma ida ao mercado ou a farmácia, por exemplo), é preciso se manter higienizado. Por isso, utilizar um álcool em gel 70% pode te ajudar muito nestes momentos.

Por que o álcool em gel e não sua versão líquida?

A principal diferença entre o álcool gel e sua versão líquida é o tempo de evaporação. O líquido não resiste tempo o suficiente na superfície das mãos para combater vírus e bactérias, evaporando antes de realizar a higienização.⁠

Com maior tempo de exposição, o álcool gel atua na parede celular do agente infeccioso, desestruturando as proteínas ou lipídios que a revestem. Este processo é explicado por Rafael Barreto Almada, presidente o Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro. ⁠

“Este processo consegue eliminar mais de 99% dos agentes infecciosos e o coronavírus não é exceção”.⁠

Rafael Barreto Almada, presidente o Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro. ⁠

O 70% no rótulo do produto indica que são 70 partes de álcool para 100% do produto. Os outros 30% são compostos por água e espessantes, que criam o gel do produto.

A formulação mais recomendada é o álcool 70%, pois ele protege sem agredir a pele. Os produtos com concentração acima de 85%, além de mais caros, são agressivos à pele e evaporam mais rápido, perdendo sua eficácia.⁠

Quando sair de casa para buscar suprimentos ou houver uma emergência, não esqueça sua máscara e o álcool em gel.

Devo utilizar a máscara para me proteger do novo coronavírus?

Anteriormente, os especialistas sugeriram a utilização da máscara apenas para os infectados, porém, com o rápido avanço da doença e a falta de máscaras para os profissionais de saúde, o Ministério da Saúde e a OMS mudaram sua abordagem e defendem a utilização de máscaras de pano com forro duplo para toda a população.

Para garantir a eficácia, esta máscara precisa seguir algumas especificações: ela deve ter, pelo menos, duas camadas de pano e ser de utilização individual. Os tecidos sugeridos são algodão, tricoline e TNT, mas outros podem ser utilizados desde que higienizados corretamente.

O mais importante é que a máscara siga as medidas corretas, cobrindo totalmente nariz e boca, sem deixar espaços abertos na lateral do rosto.

A máscara de pano deve ser utilizada por cerca de duas horas, depois, é necessário trocar.

Para limpar sua máscara de pano, utilize sabão ou água sanitária e deixe a mesma de molho por cerca de 20 minutos.

Não esqueça de levar uma máscara reserva para viagens longas e leve sempre uma sacola para armazenamento da que foi utilizada.

Devo ir fazer o teste para o covid-19?

O exame para o coronavírus só pode ser realizado após avaliação e pedido de um médico de confiança.

Essa regra também se aplica para a rede particular e visa controlar a utilização do material, que pode ficar escasso caso os testes sejam feitos de maneira descontrolada.

Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Albert Einstein, afirma que o exame deve ser feito apenas por pacientes com um quadro crítico de problemas pulmonares, com alterações severas na respiração.

O importante nestes casos é não sobrecarregar a rede de saúde, que possui leitos limitados e sofreu com superlotação em diversas cidades. Em São Paulo, por exemplo, hospitais de campanha foram construídos para suprir a demanda por leitos.

Para lidar com o vírus, a melhor forma ainda é a reclusão e o isolamento social. Lembre-se sempre: caso tenha sintomas semelhantes a gripe, permaneça em casa. Só vá ao hospital caso haja agravamento dos sintomas.

Isolamento: saiba sua importância

O isolamento social não serve apenas para diminuir o contágio do vírus. Grande parte de sua importância é que o mesmo evita o colapso da saúde do país, diminuindo o consumo de recursos e freando o crescimento do vírus.

Em locais que o isolamento foi adotado antes mesmo dos casos atingirem um ponto de alerta, o crescimento do vírus foi menor. Ainda, os especialistas conseguiram mais tempo para preparar as unidades de saúde, dividir recursos e traçar estratégias para lidar com a pandemia do coronavírus.

Já na Itália, onde o isolamento tardio foi aplicado, a mortalidade da doença atingiu níveis de 8 a 12% e o sistema de saúde foi sobrecarregado rapidamente, com profissionais tendo que escolher quem deve receber o insumo que possivelmente salvará sua vida.

O isolamento social diminui o potencial de transmissão da doença, que antes era estimado em 2,5 e 3. Hoje, no Brasil consideramos que a taxa de transmissão é de 1, isto é, para cada pessoa infectada, ela transmitia a doença para uma outra pessoa.

Como se trata de uma nova doença, não possuímos anticorpos e ainda não há uma vacina com eficácia comprovada, o que faz com que praticamente toda população mundial seja suscetível à infecção.

Ao optar pelo isolamento, mesmo as pessoas que não apresentam sintomas entram em contato com menos pessoas por dia, infectando menos pessoas. Essa medida reduz a velocidade e o volume de doentes e, com isso, diminui os números de pacientes que precisam de leitos em hospitais e UTIs, por exemplo.

Mesmo aqueles fora do grupo de risco devem se isolar. Diversas empresas entenderam a situação e estão aplicando o home office desde então. Em alguns locais, os governos exigiram que todos os estabelecimentos não essenciais fechassem suas portas e aplicaram medidas para proteger pequenas e médias empresas dos tempos de crise que foram enfrentados devido as limitações comerciais impostas.

Como manter-se bem durante a pandemia?

De acordo com diversos especialistas e considerando o histórico de comportamento em momentos similares (epidemias), os sintomas de ansiedade e patologias comportamentais aumentaram muito durante a pandemia no Brasil.

A dificuldade em se adaptar à nova rotina de isolamento social e home office causam danos a sua saúde física e psicológica, já que grandes mudanças na rotina como essa, podem te afastar de hobbies e dos exercícios físicos, além de agravar quadros de ansiedade  e depressão (por conta do isolamento).

Para diminuir estes efeitos, a OMS sugere evitar consumir conteúdos sensacionalistas ou que sirvam de gatilhos mentais, já que estas aumentam os níveis de estresse. Ainda, são recomendados exercícios físicos dentro de casa, socialização através de chamadas de áudio e vídeo e cuidados com a alimentação.

Para te ajudar a ocupar a cabeça com outras coisas que não sejam a pandemia, uma boa pedida é assistir a aulas e shows de artistas nas redes sociais. Diversos professores ainda estão oferecendo cursos gratuitos e aulas livres diariamente em redes sociais, além de artistas ainda transmitirem performances através de lives.

Existem previsões sobre quando a situação vai se normalizar? 

Ainda não há uma expectativa exata de quando a situação global se normalizará. Em alguns países como a China, Uruguai, Tailândia e Japão, a vida parece voltar ao normal já há algumas semanas. 

Aqui no Brasil, O Ministério da Saúde projetou que o grande pico da doença fosse nos meses de abril e maio, com desaceleração da doença em setembro. O que vemos atualmente é uma tímida desaceleração, patamares que ainda registram entre 800 e mil mortes diárias e novas ondas de infecções. 

Wesley Satu da Silva

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